quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Sobre os "Sobrinhos"

Recentemente foi vetada a lei de regularização da profissão de designer, a qual nos daria o privilégio de executar a nossa própria profissão, o que nos daria uma certa "proteção" contra os chamados "sobrinhos", que são as pessoas sem nenhuma formação acadêmica, sem conhecimento de ergonomia, arquitetura, ambientação e etc. Em outra palavras, alguém que aprendeu a mexer em um software e faz o trabalho de um designer cobrando preços irrisórios.
Ouve uma certa cisão, de pessoas que apoiam a lei e pessoas que não querem a regularização. As pessoas que são contra, alegam que com isso os preços iriam ter que ser tabelados, e subiria demais o valor do mercado, além de afirmar que as pessoas que procuram esse serviço mais barato não são o nosso público-alvo..Todas as opiniões são respeitadas, e cada um tem o direito de ter a sua; mas um certo esclarecimento deve ser dado. A lei não previa nenhuma base ou teto para a profissão, nem tabelamento nem nada, ela apenas oficializa a nossa profissão, o que nos permite ter pelo menos alguma lei nos ajudando, outra que designers que trabalham em lojas e escritórios já estão condicionados a salários de estagiários, projetistas ou vendedores; e designers que trabalham por conta própria continuariam tendo sua liberdade podendo cobrar o preço justo sobre o seu trabalho, nada iria mudar.
Outro esclarecimento, teoricamente pessoas que "não tem dinheiro" para pagar o nosso trabalho não seria nosso público, errado também, pelo menos aqui no Brasil; no nosso país, aonde a "lei de Gerson"(se dar bem em cima de tudo) é o que comanda, as pessoas podem pagar sim por um serviço autorizado mas elas vão procurar um "sobrinho" simplesmente por ser mais barato, provavelmente vão se dar mal, e alguns dizem: "é por conta e risco deles". Mas nós designers fizemos um juramento de não aceitar que as pessoas tenham sua vida afetada negativamente assim, mesmo que seja culpa delas, nosso juramento diz que devemos através do nosso trabalho tornar a vida dos clientes melhor, e nós odiamos sim alguém denegrindo a nossa profissão, tornando-a barata e incompetente. Todo mundo é nosso público-alvo, nós queremos realizar os sonhos e melhorar a vida de todo mundo, nós não discriminamos, nós temos a flexibilidade de preço para todas as pessoas, não fazemos preços apenas para os "ricos e poderosos", então SIM essas pessoas também são nosso público e estamos perdendo para os "sobrinhos", e não é por nossa culpa, não é por incompetência, não é por falta de qualidade, é somente por causa de um preço absurdamente injusto.
Aí virão pessoas falando que é elitismo, porque temos curso superior; e essa polarização no Brasil tem que acabar, isso já está se tornando insuportável, tudo é esquerda ou direita...Quanto a isso, se as pessoas analisarem a lei, poderão ver que pessoas que não tenham o curso superior mas trabalhem com a profissão a pelo menos 6 anos(que o tornarão experiente o suficiente) poderão também exercer oficialmente a profissão.
Assim como a área da informática, onde os clientes nunca querem pagar o preço justo pelo serviço, nós também estamos sofrendo essa discriminação do "é só um desenhinho" "me da só uma idéia", "ta muito caro por um desenho".. E isso é justamente culpa dos "sobrinhos"; justamente agora que no nosso país as pessoas estão começando tardiamente a entender o que é o designer e o que ele faz, quando estamos conseguindo o destaque que a profissão merece, regredimos 10 passos, por causa de uma coisa que os ministros e a presidente dizem ser inconstitucional. Dizem que essas pessoas não causam dano à terceiros, ok, experimenta usar durante alguns meses uma cadeira mal projetada, uma bancada de altura errada e avalie sua coluna e articulações e verá o dano que pode causar.
Nenhum de nós irá sair tentando efetuar uma cirurgia, defender um cliente no tribunal ou construir uma ponte se não somos formados em medicina, direito ou engenharia...Usei somente essas profissões como exemplo, mas isso se aplica a quase todas. Então se as pessoas são valorizadas e protegidas por lei para executar suas profissões, porque nós não podemos? porque não merecemos? Só porque as pessoas ainda não entendem o que nós fazemos não significa que possam desvalorizar o designer e nossa profissão.



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